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O tempo da palavra não é sem o tempo da vida

  • Foto do escritor: Circular Psicanálise
    Circular Psicanálise
  • 26 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Por: Geovanna Duarte

Novamente cá estou eu usando minhas palavras para falar da palavra. Mas como não lhes dar tamanha importância? Afinal, é a partir delas que damos sentido, contorno e significado às coisas da vida.


Na psicanálise, a palavra ocupa um lugar fundamental desde sua origem. Não por acaso, nos primórdios do método, ela foi nomeada como talking cure — a cura pela palavra — expressão cunhada por Anna O., paciente de Freud, no contexto de um tratamento ainda atravessado pela hipnose.


A palavra depende de um corpo que a suporte, de um tempo que a autorize e de um movimento que a produza. Freud já nos ensinava que há experiências que não se inscrevem imediatamente como palavra. Elas precisam, antes, ser vividas, atravessadas, elaboradas. Nem tudo se simboliza no momento em que acontece. Há um tempo de posterioridade que permite que algo faça sentido depois. Portanto o silêncio, nesse sentido, não é ausência de trabalho — pode ser efeito de um trabalho que ainda não encontrou sua forma de dizer.


Nos últimos tempos, o Circular circulou menos. Não por recuo da palavra, mas porque a vida exigiu presença em outros âmbitos. Sustentar o cotidiano, quando ele se impõe, convoca o corpo antes de convocar o texto.


Acreditamos na circulação da palavra. Mas não numa palavra descolada da vida, forçada, produzida à custa do esgotamento. A palavra que interessa à psicanálise não é a que se produz por obrigação, mas a que se autoriza de uma experiência.Há momentos em que escrever é um ato. Em outros, o ato é justamente sustar a escrita, para que algo do vivido não se perca em uma elaboração apressada.


O Circular segue existindo nesse intervalo: no tempo em que a vida se reorganiza e, só depois, encontra palavras.

Até 2026!



 
 
 

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